A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri) iniciou, em parceria com instituições financeiras e órgãos estaduais, um monitoramento contínuo das operações de crédito rural para identificar tendências e antecipar novos projetos no setor agropecuário baiano. A iniciativa foi discutida em reunião realizada nesta quarta-feira (20), no Centro Administrativo da Bahia, com previsão de encontros mensais e participação de representantes dos bancos do Brasil, Nordeste e Sicoob, além de órgãos como Inema, Bahiater e SEI.
O secretário da Agricultura da Bahia, Vivaldo Góis, disse que o objetivo da iniciativa é destravar o acesso ao crédito, tanto para a agricultura familiar quanto para o agronegócio. "A Secretaria da Agricultura quer atuar como ponte entre produtores, bancos e órgãos públicos, mantendo diálogo permanente para construir soluções conjuntas", afirmou Góis.
O Plano ABC também entrou em discussão. A política federal financia práticas de baixo carbono no campo e a SEAGRI pediu aos bancos um recorte dos indicadores referentes à Bahia para qualificar a base de dados do estado sobre o tema.
Na avaliação de Jorgete Oliveira, chefe de gabinete da SeagriI, o apoio dos bancos é determinante para avançar nessa frente. "Os indicadores do Plano ABC têm características próprias e exigem uma análise diferenciada. Precisamos de um recorte específico da Bahia para alimentar nossa base de dados e fazer um planejamento mais alinhado à realidade do estado", disse.
O Inema, que vem aperfeiçoando sua integração de dados ambientais, trouxe ao debate a necessidade de avançar nos mecanismos de análise no crédito rural. O objetivo é garantir que produtores regulares não sejam prejudicados no acesso ao financiamento. Para isso, a proposta é integrar melhor os dados dos órgãos ambientais com os dos agentes financeiros. Segundo o instituto, a pauta precisa avançar de forma articulada entre os estados.
O crédito que move o campo
Os números apresentados no encontro mostram a dimensão do crédito rural na Bahia. De julho de 2025 a abril de 2026, produtores baianos acessaram 11,4 bilhões em financiamentos rurais, segundo levantamento da SEI.
Na agricultura familiar, o Pronaf alcançou 200 mil contratos ativos em 406 municípios, com mais de R$ 3,3 bilhões mobilizados — quase metade dos recursos, cerca de 48%, para cidades de até 20 mil habitantes. Nessas localidades, o crédito público é muitas vezes a única forma de financiar a produção. Só o Banco do Nordeste contratou 6,7 bilhões no estado em 2025. O volume gerou ou manteve, segundo o banco, 87,3 mil empregos.
Fonte: Ascom/Seagri
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