
Além das atividades socioeducativas foram realizados mapas falados para mapear as necessidades de cada território
Durante o mês de maio, as unidades da assistência social de Vitória da Conquista intensificaram as ações em alusão a Campanha Municipal de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes em diferentes territórios do município. As atividades reuniram equipes dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas), promovendo rodas de conversa, mobilizações, atividades socioeducativas e ações em escolas e Organizações da Sociedade Civil.
Neste ano, a campanha municipal trouxe como tema “Proteja, observe e denuncie! A violência sexual pode estar em casa, nas ruas e nas redes sociais” e buscou ampliar a conscientização da sociedade, fortalecer ações preventivas e divulgar os canais de denúncia. A iniciativa foi desenvolvida pela Prefeitura de Vitória da Conquista, em articulação com o Comitê Municipal de Gestão Colegiada da Rede de Cuidado e Proteção Social das Crianças e dos Adolescentes Vítimas ou Testemunhas de Violência (CMRPC), reunindo assistência social, saúde, educação, sistema de justiça, segurança pública, Conselhos Tutelares e sociedade civil.
Para a diretora de Assistência Social, Irlane Gomes, as ações desenvolvidas pelas unidades da assistência social cumprem um papel fundamental na prevenção das violências e no fortalecimento da rede de proteção. “O Cras e o Creas estão inseridos nos territórios e têm um papel muito importante na proteção das crianças e adolescentes. Por isso, durante o mês de maio, intensificamos essas ações com o intuito de informar, orientar e aproximar as famílias desse debate. Quando levamos informação também fortalecemos a prevenção e reafirmamos a responsabilidade coletiva com a infância e a adolescência”, destacou Irlane.
Ações integradas nos territórios
Um dos diferenciais da campanha deste ano foi o fortalecimento da atuação integrada entre assistência social, saúde e educação. Muitas das atividades aconteceram em escolas da rede municipal de ensino e Organizações da Sociedade Civil (OSCs), aproximando as ações da população e ampliando o alcance das atividades.
Ao longo do mês, uma das principais metodologias utilizadas foi o “Mapa Falado”, instrumento participativo que busca identificar, junto à comunidade, espaços considerados seguros e inseguros para crianças e adolescentes. A estratégia foi aplicada em diferentes territórios e permitiu fortalecer a escuta qualificada, o protagonismo infanto-adolescente e a participação popular no enfrentamento das violências.
Para o coordenador da Rede de Atenção e Defesa da Criança e do Adolescente, Jerry Lavelle, a campanha ganha força justamente quando alcança os territórios e dialoga diretamente com crianças, adolescentes e suas famílias. “A campanha é um momento importante de mobilização, mas também de construção de conhecimento e fortalecimento da rede de proteção. Quando as equipes estão nas escolas, nos serviços e nas comunidades, conseguimos ampliar o diálogo, identificar vulnerabilidades e orientar a população sobre como prevenir e denunciar situações de violência”, afirmou Jerry.
Na Pastoral do Menor Nossa Senhora das Graças, em uma ação realizada pelo Cras Nossa Senhora Aparecida, o estudante Arthur Alvaredo dos Santos, de 12 anos, destacou a importância das orientações recebidas durante a campanha. “O 18 de maio é importante porque ajuda a gente a se prevenir de pessoas que querem se aproveitar de crianças e adolescentes. A gente aprende que existem partes do nosso corpo que ninguém pode tocar e que, se alguma coisa acontecer, precisamos contar aos nossos pais ou a uma pessoa de confiança”, relatou.
Já no Instituto Padre Benedito Soares, atividade desenvolvida pelo Núcleo de Cidadania de Adolescentes (Nuca) em parceria com o Creas, o adolescente João Arthur Oliveira, de 12 anos, participou de diálogos sobre a Lei da Escuta Protegida e o acompanhamento das vítimas de violência. Para ele, discutir esse tema é essencial para garantir proteção a quem vive situações de vulnerabilidade. “Essa campanha é muito importante porque ajuda crianças e adolescentes que estão sofrendo abusos em casa ou na escola. Eu falei sobre a lei da escuta e acho ela fundamental porque ampara quem está passando por essas situações. Participar do Nuca e desses debates é muito importante”, afirmou.
As equipes também realizaram ações na Escola Municipal Antônia Cavalcanti e Silva, por meio do Cras Pedrinhas, reunindo adolescentes em uma roda de conversa. A atividade buscou conscientizar os estudantes sobre sinais de risco e fortalecer a relação entre escola, família e comunidade. Para a estudante Eliz Oliveira, de 10 anos, falar sobre o tema é uma forma de proteger crianças e adolescentes. “Eu acho muito bom conversar sobre isso porque tem muita gente que passa por abuso nas escolas e essas atividades ajudam meninos e meninas a se protegerem”, contou.
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